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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Fliperamas pavimentaram o caminho para os games atuais

Eu peguei essa matéria no G1 e achei bacana. Tive que editá-la bastante, pois a original é muito grande...
Em algum lugar do Japão, criancinhas esperavam pela chegada do Papai Noel e, súbito, foram atacadas por terríveis alienígenas. Era 1977 e o programador Tomohiro Nishikado teria despertado desse estranho sonho com a ideia de bolar um game de tiro com vários estágios e altamente viciante, em que hordas de aliens deveriam ser eliminadas. Um ano depois, nascia o "Space Invaders" e, com ele, começava a era de ouro dos fliperamas (ou jogos arcade, como também são conhecidos). A partir daí, uma penca de jogos foi lançada. Este ano, fazem trinta primaveras os clássicos do fliperama "Asteroids", "Galaxian" e "Lunar Lander". No ano que vem, mais uma penca de joguinhos fica balzaca: "Pac-man", "Centipede", "Rally-X", "Defender", "Missile Command" e muitos outros. E, no começo dos anos 80, surgiram "Donkey Kong", "Frogger", "Galaga", "Moon Patrol"... Uma lista de dar saudade.

Atualmente, desenvolver um game é quase como fazer um filme de ação: há uma equipe, processos, recursos sofisticados de programação, hardware poderoso e muito dinheiro envolvido, como convém a uma indústria mais lucrativa que a do próprio cinema. Há trinta anos, porém, o programador fazia sozinho o jogo todo - e às vezes ainda tinha que planejar e construir a máquina onde ele seria jogado, lembra Esteban Gonzalez Clua, professor do Instituto de Computação da UFF e gerente do Media Lab, laboratório da universidade para desenvolvimento de mídias digitais.

Na época, os programadores realmente tinham que fazer tudo sozinhos - concepção, design, jogabilidade etc - e eram chamados de "programadores de pizza", porque ficavam enfurnados numa sala trabalhando o tempo todo e nem paravam para comer, pedindo incontáveis pizzas durante o processo... - lembra Esteban.

Ele classifica a turma que criou os arcades como verdadeiros desbravadores da indústria, porque tinham de ser extremamente precisos e conhecer a fundo as especificações da máquina. Hoje há uma grande camada de software nessa história que permite criar um game que rode em "n" tipos de computadores com "n" tipos de placas de vídeo e "n" tipos de monitores, mas na época isso não existia - lembra Esteban. - E, além do mais, eles tinham que criar suas próprias ferramentas de programação, já pensou? No caso do "Space Invaders", o tempo de desenvolvimento do jogo em si foi a metade do tempo gasto para criar essas ferramentas.

Outro game que também deu trabalho a seu criador fou Pac-man, o favorito de Esteban. Quem o desenvolveu foi o programador japonês Toru Iwatani, funcionário da Namco. Levou 18 meses trabalhando no jogo - e mesmo assim, no 256 nível, ficou um bug que misturava texto e símbolos do lado direito da tela... O nome original, em japonês, é pronunciado "pakku-man", e deriva da onomatopeia nipônica "paku-paku", que representa o som feito por nossa boca ao se abrir e fechar em rápida sucessão.

Hoje o mundo dos games é recheado de superproduções e entrou para valer em nossa cultura cotidiana. Até a música deles virou referência. Não por acaso, passará pelo Brasil este mês e no próximo (no Rio, dia 4 de outubro, no Canecão) o projeto Video Games Live, em que uma orquestra sinfônica toca temas de jogos - de "Super Mario Bros" a "Final Fantasy" - em meio a luzes e vídeos sincronizados. No Brasil, a Orquestra Sinfônica Villa-Lobos vai encarar a empreitada, regida pelo maestro Jack Wall. A seu modo, não deixa de ser uma celebração dos primórdios da gamemania.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Internet faz 40 anos

O Dia: 2 de Setembro de 1969
O Local: Um laboratório "sujo e mau iluminado" na Universidade da Califórnia.

Na sala um grupo estranho de pessoas, vestidas com calças bocas de sino e óculos fundo de garrafa, observa dois computadores trocarem um pacote de dados sem sentido através de um cabo de cerca de 15 metros, no primeiro teste para uma tal de Arpanet. Segundos depois alguns indivíduos já imaginam a possibilidade de se assistir vídeos sem sentido sem sair de casa; outros pensam como será incrível criar comentários curtos sem sentido sobre assuntos sem sentido para que outras pessoas tão estranhas quanto eles possam se manter atualizadas nos assuntos sem sentido; alguns pensam em locais onde poderão falar deles mesmo e de suas vidas sem sentido para que outros, em qualquer lugar do mundo, possam ver e depois ainda reclamar da invasão de privacidade...

E foi, mais ou menos, assim que nasceu a Internet.

A Internet era pouco conhecida e passou seus primeiros anos em relativa obscuridade. Na década de 70 houve a incorporação do e-mail, existente desde 1965, e seu símbolo @; e a criação do protocolo TCP/IP. Nos anos 80 foi proposto o DNS (Domain Name System) e foram criados os sufixos da Internet (.com, .gov, .org, etc.). Neste mesmo período surgiu o serviço America Online (AOL) para computadores da Apple, assim como os primeiros Worms (Morris), um tipo de vírus. A Internet só veio a se popularizar no início dos anos 90 com a criação da WWW e dos primeiros browsers (o Mosaic que se tornou depois o Netscape, e o Internet Explorer).

Após muitos altos e baixos, hoje a Internet, com mais de 1,5 bilhões de usuários, é considerada por muitos ferramenta quase indispensável para trabalho e/ou diversão.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Andando na lua: o Rei do pop e os video-games

A moda de hoje é falar sobre Michael Jackson. Eu sou um cara que odeia modas, mas ele era o cara, para ele eu abro uma baita exceção.

A passagem de Michael pelos video-games é pequena, assim como foi a sua passagem pelo cinema. Mas, afinal de contas, MJ era um músico, não se vê muitos músicos aparecendo em jogos por aí (descontando a era dos Guitar Hero e Rock Band da vida). Ou alguém já ouviu falar em algum jogo da Madonna ou do Prince?

Tudo começou quando Michael resolveu fazer seu filme Moonwalker, lançado em 1988. Para quem não conhece ou não se lembra bem do filme, vai aí o trailer:



Pouco depois, em 1989, a US Gold lançou o primeiro jogo a contar com a participação de Michael. Era a versão para computador do filme, chamado de "Moonwalker: The Computer Game". Embora tenha sido lançado no rastro do filme, ter saído para diversas plataformas diferentes (DOS, MSX, Atari ST, Commodore 64, Amiga e outros), ele não fez sucesso e foi esquecido. Confiram a versão do Commodore 64 e entendam o por quê:




Nesta mesma época, a Sega estava em plena odisséia para superar a Nintendo com seu novo console, o poderoso Mega Drive e seu novo mascote, o descolado Sonic, lutando contra o domínio do NES e do Mario. Foi então que, durante a turnê do álbum Bad, a Sega se encontrou com Michael Jackson e firmaram uma parceria para usar a imagem do rei do pop para impulsionar ainda mais a Sega.

Em 1990 saiu o primeiro fruto deste encontro: o fliperama Michael Jackson's: Moonwalker, um beat-em-up em visão de 3/4, no qual Michael usa ataques mágicos e sua dança para acabar com os inimigos. Este jogo podia ser jogado por até 3 pessoas simultaneamente e fez um relativo sucesso. Confira:



Pouco depois, saiu a versão de Michael Jackson's Moonwalker para os consoles caseiros. Devido às limitações de hardware, o jogo era bem diferente da versão do fliperama, desta vez usando elementos de plataforma ao invés do beat-em-up. Em sua produção foi utilizada uma versão melhorada do motor do jogo Shinobi. Confira a versão Mega Drive...



...uma das propagandas vinculadas na época, com o slogan da Sega "Genesis does what Nintendon't" ("O Mega Drive faz aquilo que o Nintendo não faz"):



E agora a versão Master System:



Apesar de serem bons jogos, o sucesso foi apenas mediano, mas sem dúvida contribuiu para colocar a Sega em pé de igualdade com a Nintendo e, pela primeira vez, ameaçar o seu império. Posteriormente o jogo alcançou status de cult, e os sprites de Michael passaram a ser usados em milhares de projetos caseiros e joguinhos em Flash.

Depois disto, já pelos idos de 1993, a Sega estava desenvolvendo a terceira edição de Sonic e quis novamente contar com a popularidade de MJ. O plano desta vez era que o astro compusesse e assinasse as músicas do jogo. Claro que a Sega ia fazer muita propaganda sobre isso e que seria algo muito comentado. Só que, durante o desenvolvimento do jogo, começaram os escândalos de pedofilia e a Sega sabia muito bem que a associação com a imagem de Michael seria muito ruim naquele momento. Seu nome foi retirado e a Sega, primeiramente, alegou que toda participação de Michael havia sido removida. Depois, voltou atrás e disse que na verdade nunca houve contrato com Michael Jackson para compor músicas para o jogo. Mas, há poucos anos, essa história voltou com força total. Fãs da Sega começaram a fazer comparações das músicas de MJ e do Sonic 3 e compilaram o que acreditam serem evidências da participação de Michael no jogo. Confiram:



E você, o que acha sobre isto?

Depois, com o passar dos anos, a polêmica virou história e em 1999 foi a vez de Michael Jackson se aproximar da Sega. De alguma forma, Michael ficou sabendo sobre o desenvolvimento do jogo Space Channel 5, para Dreamcast, e pediu para ter alguma participação no jogo. O jogo já estava 70% pronto, faltando apenas um mês para ser completado. A princípio, a Sega decidiu que colocaria alguns passos de dança característicos dele no jogo. Depois, resolveu colocar 5 alienígenas próximo ao final do jogo que dançariam exatamente como ele. Por fim, decidiram que um desses alienígenas seria o próprio Michael e se chamaria Space Michael. Confira:



Em 2000, Michael participou de Ready 2 Rumble: Round 2, um jogo de boxe desenvolvido pela Midway e lançado para diversas plataformas, como um personagem secreto. Uma vez aberto, você podia lutar na pele de Michael Jackson. Confira a versão Dreamcast:



Em 2002, MJ fez sua última participação, de volta a Space Channel 5, agora no segundo jogo da série. Desta vez a participação de Space Michael é bem maior no jogo, estando profundamente envolvido na trama e usando seu canto e dança para derrotar os inimigos. Confira a propaganda:



Chega ao fim este pequeno texto sobre Michael Jackson e os video-games. Fica aí um tributo ao Rei: